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| Meteorito saúda o padroeiro |
| Lula Helfer/Agência Assmann |
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| Local onde caiu o meteorito e, nos detalhes, Genuíno, fragmento da pedra e Dona Rosa, apontando a rota do fenômeno |
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O homem sempre pediu aos céus que derramassem suas bênçãos sobre ele. Mas, igualmente, sempre temeu tudo que de lá viesse em forma física – fosse chuva forte, raio, granizo ou pedra. Uma pequena população de perto de mil habitantes foi testemunha, em 16 de agosto de 1937, da queda de 200 quilos de pedras vindas do céu, justo no dia da festa do seu padroeiro. Falou-se em castigo, fim do mundo e até em bomba, mas ninguém lembrou na hora que poderia ser, simplesmente, um fenômeno astronômico chamado meteorito.
Putinga, situada no Alto Taquari, ainda pertencia a Encantado na época e realizava sua tradicional festa de São Roque quando um estrondo enorme quebrou a harmonia daquela tarde ensolarada de domingo. Eram 16h30. Genuíno De Mari, 17 anos, sentado na frente do hotel do pai, observava o trabalho de um fotógrafo quando ouviu o impacto. “Correu uma faixa de fumaça negra no céu e todos começaram a gritar”, descreve ele, hoje motorista aposentado, aos 84 anos de idade. Havia um cheiro de enxofre no ar e ninguém sabia o que tinha acontecido, até a notícia chegar através de um morador lá das bandas da Usina da Barragem. “Pedras enormes haviam caído na roça dos Marchesi e afundado até um metro e meio no solo. Desenterraram duas, pesando 55 e 45 quilos, respectivamente, do tamanho de uma cadeira. Além destas, fragmentos menores se espalharam por toda parte, até próximo aos pés da costureira Rosa Luiza Frare Secco, 27 anos. Ela não fora à festa na vila, pois algumas clientes iriam provar as roupas de crisma que fizera. Estava na rua, com as peças na mão, quando de repente viu um relâmpago, seguido de um barulho ensurdecedor que se aproximava empurrando uma “bucha pequena”, conforme descreve com seu sotaque italiano, referindo-se ao meteorito. “Quando caiu, foi outro estrondo e voou pedra para todo o lado. Uma delas parou junto aos meus pés”, conta. As mulheres começaram a rezar o “Pater Nostro” e não pararam mais. “O burrichó se assustou mais que elas e foi berrando para o pinhal”, relembra ela, que morava a 300 metros do local. Mas nenhuma das 19 ovelhas nem dos 80 porquinhos se feriu. Assim como nenhum morador. “Olhei ainda até ele terminar de largar as pedras e o barulho ir embora, lá pras bandas de Passo Fundo. Era como uma corrente pesada arrastando pedras sobre um chão de madeira”, descreve dona Rosa hoje, aos 94 anos. O marido, que jogava bocha em Ilópolis, localidade próxima, chegou contando que lá só caíram fragmentos em pó, como neve acinzentada. Ela contou assustada: “Deus queria me matar. Olha a pedra que jogou aqui”. Ao que ele respondeu: “Mas já não tem pedra que chegue aqui embaixo, tem que vir mais lá do céu?”Num lance intuitivo, dona Rosa bem que tentou guardar um pedaço do meteorito. Lavou e colocou sobre a mesa da cozinha. Mas quando descobriu que ele atraía objetos metálicos e fazia os ponteiros do relógio girar no sentido contrário, tirou a pedra para fora de casa, sobre o forno de pão. O marido não concordou, alertando que poderia atrair raios.
A novidade acabou com o baile programado para a noite de domingo e atraiu as atenções do Brasil e do mundo para a pequena vila. Todos os caixeiros viajantes, visitantes e curiosos levavam um pedaço para suas cidades. As duas maiores foram para a capital do Estado e ficaram expostas no saguão do Diário de Notícias (que correu para apurar o acontecido), na atual Praça da Alfândega. Acabou não restando pedaço algum em Putinga, que teve que comprar um fragmento com 1,70 kg de um morador de Ilópolis, pagando R$ 2,5 mil. Dos putinguenses que assistiram à queda do meteorito em 1937, apenas três estão vivos, mas a história vem sendo repassada às novas gerações. O fato mexeu tanto com Putinga que, a cada novo ano, na festa do padroeiro, a população ficava alerta para a possível vinda de mais um meteorito.
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Linha do tempo
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1984 - Clima castiga a região. Em janeiro, enxurrada causa problemas no sistema de esgoto de Santa Cruz e muitas casas são inundadas. Em março, novos temporais reduzem capacidade energética da cidade em 40%. Em abril, o Rio Pardinho sai do leito e invade a estrada para Vera Cruz e deixa ilhados Rio Pardinho e Sinimbu. Prejuízos incalculáveis nas lavouras e estradas do interior. Em maio, enchentes deixam saldo de cinco mortes e 5 mil flagelados no Estado. Em junho, chuvas fazem 832 flagelados em Rio Pardo e causam desmoronamento na Pedreira em Santa Cruz. No início de julho, vendaval atinge Pantano Grande
1986 - Seqüência de tremores de terra atinge João Câmara, no Rio Grande do Norte
1985 - Em 1985, a erupção do Nevado del Ruiz, na Colômbia, mata pelo menos 25 mil pessoas
1988 - Queda de marquise das Lojas Arapuã, em Porto Alegre, mata nove e deixa nove feridos graves, até um santa-cruzense
25 mil mortos em terremoto que atinge a Armênia
1990 - 40 mil morrem em terremoto no Irã, uma das regiões do mundo mais atingidas por abalos sísmicos
1991 - A erupção do vulcão Pinatubo, nas Filipinas, ocorrida em junho depois de mais de 600 anos de inatividade, foi considerada a segunda maior erupção vulcânica do século, acarretando a morte de aproximadamente 800 pessoas
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