Brasília – Terrorismo e especulação. Foi com essas palavras que ministros rebateram ontem, em Brasília, a ameaça da indústria de panificação de reajustar o preço do pão francês por causa da elevação, para 30%, do Imposto sobre Importação do trigo dos Estados Unidos. O aumento da alíquota para o grão norte-americano foi definido na véspera, pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), em função do contencioso do algodão. A lista da Camex conta com 102 itens de produtos dos Estados Unidos que devem sofrer retaliação brasileira.
“Já tem gente querendo ganhar dinheiro a custo de uma determinada situação”, resumiu o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, referindo-se à decisão da Camex. Para ele, a ameaça de aumento não tem lógica. “O custo do trigo no pãozinho varia de 10% a 16%. Como a restrição de 5%, que é quanto compramos dos Estados Unidos, aumentaria em 16%? É terrorismo”, afirmou.
Além disso, Stephanes comentou que não há justificativa para aumento porque o preço atual do pão foi estabelecido em 2007, em um momento em que a tonelada do trigo custava R$ 750,00. Depois disso, a trajetória do preço do grão foi descendente e hoje a tonelada é comercializada entre R$ 400,00 e R$ 450,00. “É inaceitável (um reajuste).”
Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, declarou ter se surpreendido com as notícias de que o preço do pãozinho aumentaria no Brasil. “Isso é pura e exclusivamente especulação em torno de uma medida que será inócua em relação aos preços”, afirmou, lembrando que os Estados Unidos são apenas um pequeno e esporádico fornecedor de trigo ao Brasil.
A saída para os importadores de trigo norte-americano foi dada por Stephanes. Ele citou que Rússia, Canadá e União Europeia são alternativas viáveis. “Não se oferta trigo só nos Estados Unidos”, considerou. “A Rússia oferta trigo, e trigo bom. Além disso, está disposta a competir neste mercado com outros países”, acrescentou. (AE)
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SEM IMPACTO
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A aplicação de uma sobretaxa sobre a importação do trigo dos Estados Unidos não causará aumento no preço do pão ou das massas, disse ontem o presidente da Associação Brasileira de Indústria da Panificação (Abip), Alexandre Pereira. A entidade representa 63 mil padarias no país. “Não terá nenhum impacto. Isso é absoluta especulação. Os volumes que o Brasil importa do trigo norte americano são números risíveis. Para você ter ideia, em 2008 nós importamos menos de 10%, foi um ano de crise, e em 2009 foi menos de 2%”, afirmou em entrevista à Agência Brasil. De acordo com Alexandre Pereira, o Brasil tem outras possibilidades de importação, como o trigo canadense, e de países europeus. Hoje, cerca de 90% do trigo importado do país vem da Argentina. (ABr)
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